Vincent - Um solo de amor

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Para reaprender com o tempo



Se está difícil reencontrar o amor e o tempo para viver melhor, o amigo leitor dever correr até a locadora de filmes para assistir A vida de outra mulher, com a belíssima e competente atriz francesa Juliette Binoche (foto). No fim de semana, Violeta e eu não falamos em outro assunto. O filme faz pensar e muito. A sinopse é simples: “Marie (Juliette Binoche), uma mulher de 40 anos, acorda pensando ter 25. Esqueceu de 15 anos de sua vida e ainda vive uma história de amor que já terminou. Agora, ela tem uma segunda chance de reconquistar o amor de sua vida”.

Um pensamento não me deixa a cabeça depois de ver e tentar compreender melhor A vida de outra mulher: muitos de nós insistimos em não acordar para a vida. Perdemos um tempo enorme dando valor ao que não tem valor e correndo para ganhar algum dinheiro pelo futuro que nem sabemos ter. É aquela velha história: o sujeito trabalha dia e noite, perdendo a saúde, para, depois, usar o dinheiro para cuidar da saúde que ele perdeu trabalhando. Pode?

Tem uma excelente historinha que já ouvi em salas de aula e em rodas de amigo que diz mais ou menos assim: um norte-americano, especialista em administração de empresas, foi passar umas férias de semana numa praia do nordeste brasileiro. Lá, conheceu um pescador muito sossegado, que trabalhava umas quatro horas por dia apenas, três vezes por semana.

O norte-americano, empolgado com os estudos da língua portuguesa, fez amizade com o nativo e queria exercitar a língua e os conhecimentos em negócios. Quando soube quanto o bom pescador ganhava, trabalhando apenas 48 horas por mês, o estrangeiro não teve dúvida: sacou a calculadora financeira da bolsa e, no papel, mostrou por A + B para o baiano que, se ele dobrasse a carga horária e investisse nisso e mais naquilo, em pouco tempo, teria recursos para ser patrão, ampliar os negócios e até exportar. Assim, teria muito mais dinheiro para, em 20 anos, poder usufruir de mais tempo com a mulher e com os filhos. O pescador disse:

“Fico muito agradecido com a preocupação que vossa senhoria está tendo para com a minha pessoa, mas, não me leve a mal de jeito maneira… é que… não tenho interesse não, senhor. O senhor quer dizer que se eu, Valdomiro do Nascimento, trabalhar dobrado, daqui a 20 anos, eu vou ter o tempo que eu já tenho hoje? É isso mesmo? Mas que diacho de matemática abestalhada é essa, se o tempo que eu teria lá no futuro de meu Deus, que eu nem sei se vai existir, eu já tenho é hoje?”

Agora, o que a história do Valdomiro do Nascimento tem a ver com o filme da Juliette Binoche, A vida de outra mulher… Isso o amigo leitor só vai saber depois de ver a fita. A gente se fala!

Bandeira Dois - Josiel Botelho

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