Vincent - Um solo de amor

quarta-feira, 8 de maio de 2013

O caminho da felicidade

“Alegria é a melhor coisa que existe. É assim como a luz no coração”, escreveu o poeta Vinicius de Moraes a quatro mãos com Baden Powell em Samba da bênção. Encanto antigo, trata-se de uma ode à felicidade: “É melhor ser alegre que ser triste”. Um hino ao amor próprio e às boas energias que devemos tratar por dentro. Alguns amigos me criticam, dizendo que estou me saindo “um bom escritor de autoajuda”. Não tenho nada contra essa história de autoajuda. Se ajuda, se pode fazer bem à alguém, que mal pode ter?

Neste quintal, não dá para ficar preocupado em agradar a meia dúzia de amigos intelectuais que odeiam Paulo Coelho e que não tiram os olhos das páginas de nosso Aqui – brincadeira, Lúcio, Henrique, Juarez, Helena, Marília e Hugo. Este espaço é para todos os sujeitos de bem. E do mal também, desde que queiram dar novo rumo à vida. Para isso, autoajuda é uma beleza.

Voltando ao poeta – é o que interessa –, ano passado, ganhei um CD com Samba da bênção gravada 23 vezes. A leitora Ana Cristina, vizinha do Osmar, mandou pelo amigo taxista. Presente que não sai do aparelho do carro e que não me canso de agradecer. Não passo dia sem ouvir a música e os versos falados que tanto me inspiram. Há um trecho que já sei até de cor:

“Cuidado, companheiro! / A vida é pra valer / E não se engane não, tem uma só / Duas mesmo que é bom / Ninguém vai me dizer que tem / Sem provar muito bem provado / Com certidão passada em cartório do céu / E assinado embaixo: Deus / E com firma reconhecida! / A vida não é brincadeira, amigo / A vida é arte do encontro / Embora haja tanto desencontro pela vida”.

É bonito demais. Digo o texto acima para mim mesmo, sempre, como uma oração. “A vida é pra valer e é uma só. E a vida gosta é de quem gosta da vida”, acredito. Lição decorada na alma. Os desencontros existem aos montes –sabemos todos. A doença talvez seja o maior deles. Derramei lágrimas à beça com os males que sucumbiram gente próxima, muito amada.

Não é fácil. De resto, desagrados como a falta de dinheiro não me abalam. Nunca perdi uma noite de sono com aborrecimentos menores. Menos ainda: jamais desperdicei um bom-dia nas manhãs de qualquer cor e natureza.

Tenho lá as minhas fraquezas. E são muitas. Mas o que não tenho é a doença do pessimismo ou mal algum das feridas imaginárias que vergam o corpo e mandam ao ralo simpatias. Há quem destrata os mais próximos, de graça, por uma noite mal dormida.

Pior ainda: são muitos os que desarmonizam os lares e os escritórios por uma conversa atravessada ou por qualquer contrariedade besta. Desses, tenho pena. Porque a alegria é felicidade demais para ser perdida.

Bandeira Dois - Josiel Botelho

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