Vincent - Um solo de amor

quarta-feira, 15 de maio de 2013

É o que digo para mim mesmo: 'Alegria é felicidade demais para ser perdida'

O Adelson, leitor assíduo de nosso Aqui, aprendeu na marra a ter uma visão muito interessante da vida. Na segunda-feira, almoçamos juntos e, para minha satisfação, ao fim do prato feito, o amigo colocou a página do Bandeira dois sobre a mesa e disse: “Agora, vamos falar desse caminho da felicidade”. Até leu um pedacinho do último parágrafo:

“São muitos os que desarmonizam os lares e os escritórios por uma conversa atravessada ou por qualquer contrariedade besta. Desses, tenho pena. Porque a alegria é felicidade demais para ser perdida”.

Adelson é parceiro das antigas. Tem história de aprendizado exemplar. Soube dar a volta por cima nos momentos mais difíceis. Alegra-me saber que o texto da semana passada, no Aqui, tocou-o sobremaneira.

Disse-me que o que estava escrito era exatamente o que ele precisava ouvir. Falou de problemas particulares na família e no trabalho. Emocionou-se ao falar da irmã caçula, em crise com o marido, prestes a se separar com três crianças pequenas – duas de colo ainda.

“Sabe, Josiel, a vida pra mim é como uma roda gigante: tem hora que a gente tá em cima, tem hora que a gente tá em baixo… o importante é manter a alegria e a coragem. Não perder a alegria quando sobe e não perder a coragem quando desce”, filosofou.

O Adelson esteve preso. Vou contar isso aqui porque ele pediu. Nos anos 2000, na volta da Bahia, foi pego numa blitz próximo a Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri. No carro, meio quilo de maconha. O moço amargou condenação de três anos. Réu primário, bons antecedentes, com um ano recobrou a liberdade.

Fato é que a vida foi ao avesso. “Juro pra você, Josiel… eu achava que podia tudo. Meu pai não me deixava faltar nada. Facilitou ao máximo a vida pra mim e eu não soube valorizar. Depois que ele se separou da minha mãe, quando eu tinha 8 anos, passou a me dar ainda mais. Me dava o que eu queria e não queria”. Mais uma vez, o Adelson se emocionou na mesa do bar.

O taxista precisava falar. “Em Neves, é que fui entender a diferença entre fazer o que a gente gosta e fazer o que é necessário. Entre fazer o que é bom só pra mim e o que é bom também pra quem está perto de mim. Minha mãe quase morreu quando fui preso, Josiel. Se há uma coisa que não esqueço é a primeira visita dela lá na penitenciária”.

Bandeira Dois - Josiel Botelho

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