Vincent - Um solo de amor

quarta-feira, 9 de março de 2011

Os trapalhões de Marataízes

O Orlando é sujeito observador. Somos colegas de universidade e a amizade veio rápido, fácil, por uma série de trabalhos em grupo e muita nota boa. Mas nem todo mundo consegue ser amigo do Orlando, porque ele, às vezes, é sincero de doer. Para minha família, o moço e sua namorada, Lívia, também da escola, são mesmo é boa companhia. Tanto que insistimos para que fossem passar o carnaval com a gente, em Marataízes. Disseram que tinham um outro compromisso, coisa e tal, e que ficaria para uma outra vez. Surpresa! Quando chegamos, no sábado, depois de 12 horas de estrada tensa, abarrotada, e muita chuva, lá estava o casal amigo, hospedado no Praia Hotel, à beira-mar. Insistimos para que eles ficassem com a gente, em nosso cafofo, mas os dois pombinhos, apaixonados, já estavam com pacote pago. Nem forcei a barra porque entendo bem esse lance de privacidade.

Orlando e Lívia não conheciam Marataízes. Aliás, pouca gente com menos de 30 anos conhece, porque a boa Marataízes ficou no passado, nos idos de 1970 e 1980. Nos últimos 20 anos, verdade seja dita, a cidade esteve bastante caída. No entanto, há um esforço de muitas esferas para que o município volte a ser atraente. E esse esforço pode ser visto facilmente. Basta olhar para a praia central que, por meio de engenharia genial, com espigões e aterramento, voltou a existir. Só que, todos sabem, reconquistar o turista não vai ser da noite para o dia. Vai ser preciso muito trabalho, com foco em infra-estrutura para a cidade voltar a pegar. De cara, a parte central de Marataízes, que vai até o Xodó, precisa perder o aspecto de abandono. São dezenas de imóveis, aparentemente largados, que, como estão, empobrecem a orla reconstruída.

Na falta do que fazer – a chuva não deu a menor trégua –, Orlando, Lívia, Violeta e eu debatemos Marataízes. Ouvimos com atenção o Orlando, turista, porque, falante e sincero, graduando em administração, ele tinha o que dizer: “Quando vi as fotos que o Josiel me mostrou lá na sala, fiquei curioso para saber como é que eles fizeram para o mar recuar. Realmente é de impressionar. Parece que está ainda mais bacana do que já foi. Posso falar alguma bobagem, mas vou falar como um turista que não conhecia Marataízes e que veio por causa da propaganda de um amigo. Chegando aqui, tomei um susto ao ler o jornal local. Denúncia estampada que todos os vereadores da cidade foram fazer curso na Bahia, custeado por recursos públicos, durante o carnaval. Parece mentira, mas não é. Estava lá, em veículo sério, com dados, documentos, fontes e tudo. Uma cidade em plena reconstrução, no feriado mais importante para o turismo local, e os vereadores na Bahia? Com tudo pago pelos cofres públicos? Não pode estar certo”.

Não foi só com a trapalhada dos vereadores que o Orlando ficou decepcionado: “Outra coisa é esse povo que fica com o som do carro na maior altura com essas músicas de mau gosto. Isso espanta o bom turista. Isso só atrai a farofada que bota para correr o bom consumidor. Na porta do nosso hotel, era impossível dormir com tanto farofeiro ouvindo funk”. Foi mal, Orlando. Da próxima vez, vamos torcer para que isso mude.

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 9/3/11

Um comentário:

Cacá - José Cláudio disse...

Eu sou dessa época que você falou de 30 anos atras. Meu pessoal tem uns lotes em praia das neves e no caminho sempe tinha uma parada em Marataízes. É uma tristeza o que ocorreu lá. O mesmo se deu com uma casa que eu costumava ficar em Mucuri(BA). O mar invadiu tudo. Isso é da natureza,Agora o que não é perdoável é essa cara de pau dos vereadores, hein? Abraços, Josiel. Paz e bem.