Vincent - Um solo de amor

quarta-feira, 16 de março de 2011

Força, Japão, país amigo!

O velho Botelho, meu pai, foi budista dos mais praticantes. Quase um japonês. Eram horas diárias de daimoku (oração). Levou-me junto por longos anos. Fomos da Soga Gakkai, uma organização não governamental que trabalha pela paz, pela cultura e pela educação. Sua filosofia está amparada pelo budismo de Nitiren Daishonin. Há um mantra poderoso, que divido aqui, hoje, com o amigo leitor: "Nam-Myoho-Rengue-Kyo". Fazer daimoku é recitar "Nam-Myoho-Rengue-Kyo" por um tempo determinado. Lembro-me de ter começado com cinco minutos. Nos bons tempos de prática, nos anos 1980, cheguei a duas horas diárias de oração. Também li e ouvi muito sobre a filosofia de vida oriental. "Mente positiva, metas definidas e alta motivação". Cresci com essa frase na cabeça, além, é claro, de muito daimoku. Logo, por meio do meu velho, o Japão está em grande parte de tudo o que sou.

Entristece-me profundamente tudo o que está ocorrendo do lado de lá. Não consigo me desligar das notícias, que chegam a todo momento pelas redes de comunicação. São imagens e mais imagens que me pululam os pensamentos. Sou grande admirador daquele povo e de sua cultura. Fico extremamente admirado com a postura dessa gente diante das catástrofes. Não se vê comumente tanta dignidade diante do apuro. Todos, juntos, se ajudando o tempo todo. Já do lado de cá, em situações de caos, há sempre bando de aproveitadores reunido. Envergonha-me, por exemplo, os saqueadores de nosso Brasil, que, sem escrúpulos, roubam as casas de vítimas de chuvas, como vimos recentemente na Região Serrana do Rio de Janeiro. Ou, ainda, os ladrões de gravata, capazes de roubar merenda escolar, aposentadorias, ambulâncias e remédios.

Melhor falar dos japoneses. Ontem, pela manhã, o velho Botelho conversou longamente comigo sobre o Japão. Tem amigos japoneses que moram no Brasil e soma muitos brasileiros que conhecem o Japão. Hoje, não frequenta mais as reuniões budistas. Mas continua praticante de daimoku. O pai está atento aos desdobramentos do terremoto, seguido do tsunami, que arrasou nosso país amigo. Falam em mais de 15 mil mortos – número que muda da manhã para a noite. Oficialmente, já contam mais de três mil. São mais de 10 mil desaparecidos. Os prejuízos materiais são incalculáveis. Mas, como lembra bem o velho Botelho, são os que menos importam, já que se trata de um povo com capacidade extraordinária de dar a volta por cima. Japoneses não cruzam os braços, não se descabelam nem choram miséria. Vão à luta. Num respiro, estão prontos pra voltar à vida. Força, Japão, país amigo!

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 16/3/11

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