Vincent - Um solo de amor

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Homenagem a Mauro dos Reis

Na semana passada, sexta-feira, lá se foi para a outra morada o bom e gentil Mauro dos Reis. Segurança de um banco privado na Avenida Getúlio Vargas, no Bairro Funcionários, dedicado, Mauro não era de muita conversa. Bem pouco o conheci, mas o suficiente para saber que se tratava de homem de bem. Tive oportunidade de trocar algumas ideias com o bom moço. Sempre fora do expediente, porque em serviço parecia não ser de conversa. Sem o uniforme parecia mais maestro, doutor ou pianista. Conversamos sobre arte algumas vezes e ele demonstrava muito interesse pelo assunto.

Delicado, de fala mansa, pura simpatia, aos 54 anos deixa família e muitos amigos.

Entristeceu-me um bocado saber da morte do Mauro. Nem minhas convicções budistas e espíritas foram capazes de aliviar o sentimento ruim pela morte do Mauro. Infarto. O pior é que ele, sentindo-se mal, procurou ajuda médica. Pelo que soube, disseram que era estresse e que ele precisava caminhar. Foi caminhar e teve um piripaque. Não resistiu. Agora, martela-me a cabeça: o que leva um médico a dispensar um paciente com todos os sintomas de algo mais grave? Disseram-me que ele se queixava de fortes dores no peito e formigamento nos braços. Estresse? Francamente.

Deus tem lá os seus propósitos. É chegada a hora, não tem jeito. Não há uma folha sequer no chão sem o sopro do Criador – tenha ele o nome que for. Mauro dos Reis tinha tudo para ser muito querido. Seus mais próximos falam com muito carinho de sua passagem neste plano, campo de aprendizado e de lições de dor. Sabemos todos que há muita alegria, mas, também, muita dor. Morremos pouco a pouco a cada dia. De repente, assim, num estalar de dedos, lá se vai o corpo. Imortal é a consciência ou a alma – sei lá que nome mais adequado dar à energia que habita esta carcaça frágil de carne. Não é fácil compreender isso.

Ao bom Mauro dos Reis, a homenagem de nosso Aqui. Estive no posto de atendimento que você guardou tão bem por tanto tempo e havia um vazio triste entre as duas moças que lá continuam a trabalhar. Você foi lembrado com muito carinho pela generosa caixa, pela gentil gerente e pelos clientes que estavam na fila. Lamentamos sua ausência. Muita luz caminho adiante, meu velho!

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P.S. Última semana para ver Vila dos mortos, em cartaz no Teatro do Colégio Arnaldo (Rua Timbiras, 560 - Funcionários). Sexta-feira e sábado, às 21h; domingo, às 19h. O espetáculo traz o "outro lado apenas como um ponto de vista". São 18 atores em cena tratando a morte com muito respeito. Vale conferir!

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 22/9/10

Um comentário:

Cláudia Braga disse...

Ontem tomei conhecimento do caso do Mauro, pelo meu irmão, que também era conhecido dele. Fiquei indignada com o desrespeito à vida dentro de um hospital. Mas diante da tristeza do meu irmão, achei melhor não dizer nada. Aqui, lendo suas palavras, ví que você disse tudo. Parabéns, mais uma vez, pelo belo texto.