Vincent - Um solo de amor

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Sobre o Cruzeiro e outros valores

Hoje vai ser preciso dominar a síntese para aproveitar melhor o espaço. Há muito na cabeça e na ponta dos dedos para fazer correr as linhas na caderneta. Primeiramente, é preciso agradecer aos leitores que comentaram “Um piano para enfeitar a sala”, publicado em nossa última Bandeira dois. Foram muitos os que se identificaram com a história do advogado que queria ser pianista. Marina, do Bairro Silveira, escreveu: “Tem muita gente que, seduzida pelo dinheiro, deixa de lado seus verdadeiros dons, Josiel. Muito mais vale ser realizado profissionalmente, mesmo que no aperto, do que passar a vida na frustração, com o bolso cheio de dinheiro”.

O Rubinho, cinegrafista dos bons, leitor e amigo de infância, atualmente morando e trabalhando em Roraima, mandou recado: “Vivo na pindaíba, meu velho, mas sou feliz demais com a máquina no ombro, você sabe. E a gente segue na alegria porque, como você lembrou bem, dinheiro não traz felicidade. Muita paz, aí, aos amigos da terrinha. Daqui de Roraima acompanho Belo Horizonte pelo portal Uai”. Também marcaram presença Tião, Elísio, Bianca, Fernandinha e Alessandro. Mais uma vez, meu abraço.

Em segundo lugar, não posso deixar de comentar o livro Os dez mais do Cruzeiro, escrito pelo jornalista Cláudio Arreguy, que já está à venda na cidade. Estou com o meu exemplar lido e posso dizer: é de dar gosto. O Arreguy sabe das coisas e reuniu uma turma especializada para ajudá-lo na difícil missão de eleger os melhores entre os melhores de todos os tempos da equipe celeste. O texto é leve, elegante, cheio de informação e curiosidades. Não tem nada daquela gastação de confete – tão comum em livros do gênero. O autor, por momento algum, quis aparecer mais do que os craques da bola. Manteve-se ali, no meio de campo, com domínio absoluto da palavra, garçom, servindo com generosidade o timão eleito. O resultado é gol de letra pra leitor nenhum botar defeito. Os nomes dos escolhidos não vou dizer aqui. Claro, gente. É para que o leitor fique curioso e prestigie o trabalho do escritor. Parabéns, Cláudio Arreguy.

Por fim, já beirando os limites de nosso quintal, não posso deixar de comentar o trabalho de alguns grupos musicais da cidade, desconhecidos, que andam batalhando pelo pão aos domingos. Na Avenida Abílio Machado, ali pelas bandas do Bairro Alípio de Melo, fiquei bastante impressionado com dupla sertaneja fera no gogó e na viola, que alegrava os consumidores de um pequeno grupo lojista. Grande audiência teve a performance do duo de violeiros. Mais adiante, a poucos quilômetros dali, na Avenida Santa Terezinha, era a vez de grupo de pagode dar show para a moçada do Bairro Santa Terezinha. Até a Violeta, que tem pavor de pagode, elogiou: “Isso tá tão bom que mais tá parecendo é samba”. Está certo. Retratos da Belo Horizonte viva, com sua legião de artistas anônimos, em busca de algo de bem mais valor que o tal dinheiro.

Bandeira Dois - Josiel Botelho - 19/5/10

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